É com pesar que informamos que um dos nossos queridos participantes na feira, apaixonado por discos de vinil os quais vendia regularmente aqui, faleceu no domingo passado. Estamos certos que o Eduardo Simondi foi em paz.
Texto abaixo, reproduzido de http://app.folha.com/#noticia/548282
Mortes: Frank Zappa, vinis, chorinho e matemática
DE SÃO PAULO
06/05/201523h56
Entre Perdizes, zona oeste paulistana, e Guará, bairro algo rural nos arredores de Campinas, Eduardo Simondi construiu seu território sentimental. Naquele nasceu e cresceu. Neste passou os últimos anos.
Dos pais, Lia e Sérgio, herdou o gosto pela música. O engenheiro Sérgio mantinha um piano no escritório e vivia com o filho nas melhores rodas de choro de São Paulo, levando junto amigos privilegiados.
Também à maneira do pai, seguiu as ciências exatas: cursou engenharia (civil e elétrica) e física, todas na Unicamp. Ganhou um milhão de amigos e o apelido de Sig, mas não concluiu nenhuma. Virou professor de matemática e física de escolas e cursinho do interior paulista.
Mas seu fraco –além do São Paulo Futebol Clube– era mesmo a música. Manteve por toda a vida Jim Morrison e Frank Zappa num altar imaginário.
Casou-se com a estatística Valéria Ashkar, e deram ao filho o nome de Jorge, em homenagem ao Ben (hoje Benjor).
Cabelão e barba louros lhe emprestavam um eterno ar de roqueiro hippie –nas bodegas do Guará, onde cultivava bons papos regados a cerveja e pinga, era o "Alemão".
Há dois anos, o fígado chiou, e ele parou de beber.
Mudou de hábitos com a alegria e a serenidade habituais. Rodava o bairro de bicicleta, e a música tornou-se sua única cachaça. Louco por vinis, garimpava bolachões e vendia em feiras.
Acalentava a ideia de abrir um sebo de discos e de fazer um documentário sobre o choro paulistano. Não teve tempo. Um câncer de fígado e pâncreas, descoberto há um mês, interrompeu os planos.
Morreu na segunda (4). Faria 50 anos em novembro.
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